A Deusa Hekate e as serpentes: o que guardam as Górgonas e os nāgas

A guarda das águas, os limites da oferenda e a presença serpentina na tradição do Santuário de Hekate.
Uma taça de água limpa pode ser suficiente diante de uma potência que guarda mundos. Essa afirmação costuma surpreender quem aprendeu a medir a força de uma oferenda pela raridade dos ingredientes, pelo custo ou pela intensidade daquilo que entrega. No culto, porém, a primeira questão é conhecer quem recebe e compreender a relação na qual o gesto será realizado.
No Santuário de Hekate, a presença serpentina integra a guarda do templo. Najenna, também reconhecida por nós como a "guardiã-serpente", ocupa uma posição definida em nossa organização ritual. Sua relação com vinte nāgas guardiãs e com Medusa, Esteno e Euríale permite aprofundar uma pergunta que merece mais do que uma resposta apressada: por que, nesse campo de trabalho, preservamos a regra de não oferecer carne?
Para responder, é preciso percorrer as fontes gregas, aproximar-nos de determinadas práticas asiáticas e compreender o que o Santuário estabelece por sua própria tradição. Faço esse percurso como sacerdotisa: reconhecendo o testemunho dos antigos e assumindo a responsabilidade pelo que ensino.
Hekate e a serpente nas fontes antigas
A associação entre Hekate e a serpente possui testemunhos antigos. Na Argonáutica, de Apolônio de Rodes, Jasão realiza uma invocação a Hekate Brimo segundo as instruções de Medeia. A Deusa se aproxima cercada de serpentes entre ramos de carvalho, com o fulgor de tochas e o uivo dos cães. A terra estremece diante de Sua chegada. A serpente participa dessa manifestação terrível e majestosa da presença divina, muito além de uma ornamentação acrescentada à imagem da Deusa. gutenberg.org
Há também um dado que considero essencial para nossa reflexão sobre as águas. Na Teogonia, Hesíodo reconhece a Hekate honras na terra, no céu e no mar; o poeta menciona inclusive Sua intervenção na atividade dos pescadores. O domínio marinho pertence, portanto, ao horizonte antigo da Deusa. Ao contemplá-La diante das águas, encontramos uma referência que antecede em muitos séculos as práticas contemporâneas. gutenberg.org
Esses testemunhos oferecem fundamento à reflexão, mas cada um precisa conservar seu contexto. A própria cena da Argonáutica inclui um sacrifício animal. Seria historicamente incorreto utilizá-la para afirmar que todo culto a Hekate exclui carne ou sangue. A regra de que trato aqui se aplica a uma relação ritual específica, com determinadas presenças e dentro de uma tradição definida. gutenberg.org
Na leitura sacerdotal que desenvolvo no Santuário, a serpente torna especialmente perceptível a proximidade entre profundidade e vigilância. Seu corpo acompanha as fendas da terra, recolhe-se ao oculto e pode deter uma aproximação com um único movimento. Quando a reconhecemos como guardiã, interessa compreender o que está confiado à sua guarda e sob qual autoridade nos aproximamos.
As Górgonas entre o mar e os limites da Noite
Medusa, Esteno e Euríale pertencem a uma genealogia marinha. Hesíodo as apresenta entre as filhas de Fórcis e Ceto e situa sua morada além de Oceano, nos confins voltados para a Noite. Nesse mesmo testemunho, Medusa é mortal, enquanto suas duas irmãs são imortais. Temos, desde cedo, uma geografia de fronteira e uma diferença entre as próprias Górgonas que convém preservar. uvm.edu
A imagem de Medusa também circulou como proteção. O gorgoneion, a representação de sua cabeça ou de seu rosto, aparece na arquitetura, em armas, adornos e objetos. Uma de suas funções mais reconhecidas é apotropaica: afastar uma ameaça por meio de uma presença capaz de intimidá-la. O rosto que detém o olhar também pode guardar um espaço. The Metropolitan Museum of Art
É essa potência de interdição que recebe especial atenção em nosso culto. Na tradição do Santuário, as Górgonas guardam o limiar e se apresentam diante daquilo que não deve atravessá-lo. Sua autoridade exige que compreendamos a importância de uma passagem reconhecida, de um recinto protegido e de uma aproximação conduzida com conhecimento.
O vínculo com as águas e a presença serpentina permitem uma comparação fecunda com os nāgas. A comparação, contudo, não demonstra que Górgonas e nāgas sejam os mesmos seres, nem estabelece uma origem histórica comum. A relação entre eles, tal como a praticamos, ganha sua forma própria na teologia e na organização ritual do Santuário.
Quem são os nāgas e o que guardam nas águas
Nāga é um termo empregado em diferentes tradições religiosas, populares e folcóricas da Ásia para seres serpentinos cujas formas e atribuições variam. Podem ser apresentados como grandes serpentes ou em formas parcialmente humanas, por vezes coroadas. A palavra abrange presenças masculinas e femininas; nāginī designa uma figura feminina. Em nossa tradição, o grupo sob a guarda de Najenna é reconhecido como feminino.
Entre suas associações recorrentes estão lagos, rios, mares, chuva e fertilidade. No contexto tibetano, os seres chamados klu, frequentemente transcritos como lu, foram relacionados aos nāgas das tradições indianas. O encontro entre essas concepções produziu desenvolvimentos locais; não devemos imaginar uma doutrina asiática única, idêntica em todos os lugares. Project Himalayan Art
A guarda dos tesouros também merece atenção. Ao apresentar um recipiente ritual javanês dos séculos XIV a XVI, o National Museum of Asian Art, do Smithsonian, descreve os nāgas como guardiões de um mundo aquático subterrâneo, com palácios de joias, corais e pérolas. Nesse objeto, a água passa pela boca da figura serpentina, recebendo uma qualidade sagrada no uso ritual. asia-archive.si.edu
A serpente aparece, assim, junto da água que sustenta a vida e da riqueza que permanece oculta. Essa proximidade não torna todo nāga hostil. No Muccalinda Sutta, o rei nāga protege o Buda durante uma tempestade, envolvendo-o com suas voltas e estendendo sobre ele seu capelo. A tradição registra uma presença que oferece abrigo. accesstoinsight.org
Quando falamos da sensibilidade dos nāgas à perturbação, precisamos conservar essa diversidade. A reverência se dirige a seres reconhecidos em suas próprias histórias e relações. Ela pede atenção à morada, à forma do encontro e aos compromissos que o tornam possível.
Por que não oferecemos carne aos nāgas
A proibição da carne que acolhemos encontra apoio explícito em The Practice for the Naga, de Chögyal Namkhai Norbu. A obra reúne ensinamentos de Merigar, de 1993, publicados em 1996. Nas orientações sobre as oferendas, o autor menciona sang, uma fumigação purificadora com vegetais aromáticos, e admite leite e bolos doces. A carne é expressamente excluída.
O cuidado alcança a composição do incenso. Namkhai Norbu adverte contra o emprego de substâncias animais, como o almíscar mencionado no texto: nessa prática, elas provocariam os nāgas em vez de agradá-los. Também esclarece que a aparência ou a cor do incenso não basta para determinar sua adequação. É preciso conhecer os ingredientes.
Há uma precisão indispensável nessa passagem. Como o próprio texto admite leite, seria incorreto resumir sua regra dizendo que nenhum produto de origem animal pode ser oferecido. O que está documentado é a proibição da carne e a inadequação de determinadas substâncias animais na fumigação. Uma orientação ritual deve ser apresentada com suas distinções.
O fundamento também envolve a relação com o ambiente. Namkhai Norbu menciona a poluição de fontes e rios e a queima de lixo entre as ações que perturbam os nāgas. Em ensinamentos públicos da tradição Yungdrung Bön, divulgados pelo Gyalshen Institute, encontramos igualmente a associação desses seres com águas, cavernas e tesouros subterrâneos, assim como a necessidade de reparar a perturbação causada ao ambiente. The Practice for the Naga (Chog… རྒྱལ་གཤེན་ཞང་བོད་སློབ་གཉེར་ཁང་།
É nesse horizonte que compreendemos a escolha de oferendas limpas e pacificadoras. O gesto procura restaurar uma relação e aproximar-se de modo adequado das presenças honradas. Acrescentar carne por acreditar que algo mais denso produzirá necessariamente mais poder contraria o sentido desse encontro.
Prefiro, por isso, evitar a explicação superficial de que os nāgas simplesmente seriam vegetarianos. Ela transforma uma disciplina de oferenda em uma afirmação geral sobre a alimentação de seres espirituais muito diversos. O que precisamos conhecer é a linguagem ritual daquela aproximação.
O ensinamento de Namkhai Norbu pertence a um contexto de transmissão e compromissos próprios. Acolher um princípio de oferenda em nosso culto não equivale a conferir transmissão budista ou Bön. O Santuário responde por sua prática hekatina e reconhece a procedência das referências com as quais dialoga.
O que as oferendas serpentinas de Kerala acrescentam à reflexão
O culto às divindades serpentinas em Kerala, no sul da Índia, oferece outra referência importante. No portal oficial do templo Mannarasala Sree Nagaraja, o Noorum Palum é apresentado como uma mistura de arroz moído e leite. Cúrcuma e água de coco tenro aparecem como oferendas adicionais. Na mesma página, outras preparações incluem arroz, leite de coco e açúcar não refinado, o jaggery. Mannarasala Sree Nagaraja Temple
Convém conservar essa descrição com exatidão, pois as receitas e sequências rituais variam. Não é necessário reunir todos os ingredientes conhecidos em uma fórmula supostamente universal. O que essa fonte permite observar é uma linguagem de nutrição e reverência, na qual substâncias vegetais e lácteas ocupam um lugar expressivo.
Mannarasala pertence a um contexto hindu específico. Sua prática não comprova, por si, a disciplina transmitida por Namkhai Norbu, nem autoriza generalizações sobre todos os cultos serpentinos. Há, porém, uma aproximação que considero fértil: a potência da serpente pode ser honrada com substâncias que nutrem e refrescam. Seu caráter sagrado não exige uma oferenda sangrenta.
Najenna e as vinte guardiãs serpentinas do Santuário de Hekate
No Santuário, essas reflexões encontram uma organização concreta. Nosso material interno da tradição denominado Aliança com os Guardiões apresenta Najenna, como guardiã serpentina do Oeste, vinculada às águas profundas e à contenção do que não deve atravessar o limiar. Sob sua direção estão vinte nāgas guardiãs; nessa hierarquia, Najenna permanece subordinada a Medusa, Esteno e Euríale. Toda essa ordenação se estabelece, em nosso culto, sob a soberania de Hekate.
Essa é uma afirmação da tradição interna do Santuário, fundada na gnose sacerdotal que assumimos e desenvolvemos. Refere-se às presenças e aos vínculos com os quais trabalhamos. Não a atribuo aos poetas gregos, às escrituras indianas ou às linhagens himalaicas. Tampouco pretendo reorganizar, por meio dela, os panteões de outros povos.
É também nesse âmbito que determino a extensão da regra de não oferecer carne às Górgonas. Não apresento uma fonte grega antiga que lhes prescreva o regime de oferendas dos nāgas. Estabeleço uma disciplina coerente com a autoridade que elas exercem sobre as guardiãs serpentinas em nossa casa.
A hierarquia, nesse caso, tem consequência litúrgica. A aproximação das presenças reunidas nesse campo respeita uma mesma orientação de oferenda, reconhecida e mantida pelo Santuário. Essa disciplina torna o trabalho compreensível e permite transmiti-lo com responsabilidade.
Uma tradição viva precisa saber nomear aquilo que recebeu e aquilo por que responde. Quando declaro o fundamento interno dessa organização, assumo publicamente minha responsabilidade sacerdotal. O estudo das fontes e a experiência da Arte, do culto e do Ofício podem caminhar juntos quando cada afirmação é feita no lugar que lhe pertence.
O que oferecer às guardiãs serpentinas nesta prática
Para esse campo ritual do Santuário, água limpa é suficiente. Sua suficiência está expressamente preservada em nossa Aliança com os Guardiões. A presença de uma taça de água não indica um trabalho incompleto à espera de ingredientes mais fortes. Ela corresponde à aproximação que estabelecemos.
Conforme a prática conduzida, flores, arroz, frutas, doces simples de composição vegetal e incensos exclusivamente vegetais podem ser adequados. A fonte tibetana citada admite leite em seu próprio contexto; isso não cria a obrigação de acrescentá-lo aos trabalhos do Santuário. Nossa orientação mais simples para esta aproximação permanece centrada na água e nas oferendas vegetais indicadas.
Sangue, carne e ingredientes animais não devem ser acrescentados por iniciativa própria para fortalecer o trabalho. A incompatibilidade aqui é litúrgica: introduzir uma substância alheia à orientação modifica a linguagem da oferenda e a relação que ela deve sustentar. Essa determinação se refere a este campo ritual e não constitui uma condenação geral de outras tradições ou de seus regimes de oferenda.
Também não considero suficiente escolher um incenso apenas porque seu rótulo traz a palavra natural. A adequação depende da composição. O princípio formulado por Namkhai Norbu continua pertinente: saber o que se oferece faz parte do próprio ato de oferecer.
Há ainda uma consequência material da reverência às águas. Alimentos, perfumes e resíduos não devem ser lançados em fontes, rios ou lagos como se a intenção de culto ou de prática mágica eliminasse seu efeito sobre o ambiente. Podemos manter uma taça no espaço ritual e dar-lhe depois uma destinação apropriada. Honrar as presenças das águas inclui conservar suas moradas.
O culto amadurece quando cada praticante consegue sustentar um gesto simples sem corrigi-lo pela ansiedade de acrescentar mais. Uma oferenda precisa ser reconhecível dentro da relação para a qual foi preparada.
A pérola guardada e a travessia pelas águas cósmicas
Foi essa compreensão da guarda que atravessou a meditação Hekate e as Águas Cósmicas — A Travessia dos Nāgas, conduzida no Santuário em 19 de outubro de 2026. Partimos do templo sob a tocha de Hekate, atravessamos o limiar das Górgonas e percorremos, na visão ritual, fonte, rio e mar até a câmara de uma pérola.
Nessa composição autoral, os nāgas mantêm a guarda da câmara. A pérola permanece em seu lugar; de sua luz recebemos uma gota. Escolhi conservar essa imagem porque ela ensina uma forma de relação com o tesouro sagrado: receber uma dádiva reconhecendo a integridade daquilo que continua confiado aos seus guardiões.
A referência asiática aos nāgas como guardiões de joias e pérolas oferece um ponto de diálogo. A travessia específica, sua câmara e sua articulação com Hekate e as Górgonas pertencem à liturgia do Santuário. O retorno pelo mesmo caminho conserva o templo como lugar de sustentação e encerramento.
O Sigillum Nyctos, autoral do Santuário, e que foi ativado magicamente para esse trabalho também esteve presente, com o ovo negro e suas três serpentes guardiãs. Nesse sistema autoral, elas possuem identidade e função próprias. Não as confundo com as três Górgonas ou com as vinte guardiãs de Najenna. A presença serpentina atravessa diferentes trabalhos de nossa tradição, e o conhecimento de suas diferenças permite reconhecer com maior clareza cada uma dessas relações.

A responsabilidade de conhecer aquilo de que nos aproximamos
Há uma exigência de conhecimento em toda aproximação do Mistério. Uma imagem pode despertar fascínio, mas o culto começa a criar raízes quando nos dispomos a estudar a presença que ela anuncia, a escutar suas histórias e a compreender a disciplina do encontro.
A ligação entre Hekate, as serpentes, as Górgonas e os nāgas se torna mais profunda quando conseguimos reconhecer as fontes antigas e, ao mesmo tempo, compreender a ordem particular em que nosso templo trabalha. É a essa formação que dedico o Santuário de Hekate, como templo e Escola de Mistérios de Bruxaria Tradicional Hekatina.
Nos trabalhos públicos, nos estudos e na formação, procuro conduzir essa passagem do interesse para uma relação consciente com a Deusa. Quem deseja aprofundá-la pode conhecer os cursos e os caminhos de estudo do Santuário pelos nossos canais oficiais.
Diante das águas, entregamos a oferenda que corresponde ao encontro. Reconhecemos a guarda, conservamos o limiar e seguimos sob a tocha de Hekate. A pérola permanece em sua câmara. Sua luz pode acompanhar quem aprendeu a aproximar-se com reverência.
Assista aqui a meditação!
Ouça também meu podcast sobre o simbolismo da Serpente.
Khaire Hekate!
Com respeito e devoção.
Liliáh
Alta Sacerdotisa, fundadora e regente do Santuário de Hekate.
Referências bibliográficas
APOLÔNIO DE RODES. Argonáutica. Livro III, vv. 1191–1224. Tradução inglesa de R. C. Seaton. Londres: William Heinemann; Nova York: The Macmillan Co., 1912. Episódio da invocação de Hekate Brimo. Texto no Project Gutenberg.
HESÍODO. Teogonia. Vv. 270–286, sobre as Górgonas; vv. 411–452, sobre Hekate. In: Hesiod, the Homeric Hymns and Homerica. Tradução de Hugh G. Evelyn-White. Cambridge, MA: Harvard University Press; Londres: William Heinemann, 1914. Texto no Project Gutenberg.
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NAMKHAI NORBU, Chögyal. The Practice for the Naga. Ensinamentos de Merigar, 1993. Transcrição de Tiziana Gottardi; tradução inglesa de Zinnia M. Steinhauer. Arcidosso: Shang Shung Edizioni, 1996. Especialmente pp. 5–7 e 10. Obra destinada a praticantes que receberam a transmissão correspondente; citada como fonte, sem reprodução de sua liturgia. Registro editorial.
GYALSHEN INSTITUTE. Purification and Sang Offering to Naga. Apresentação de ensinamento de Chaphur Rinpoche na tradição Yungdrung Bön. Página institucional.
MANNARASALA SREE NAGARAJA TEMPLE. Important poojas and offerings. Seções Noorum Palum Pooja, Chathussatha Nivedyam e Ashta Naga Pooja. Portal oficial do templo, Kerala, Índia. Consultar.
LILIÁH. Aliança com os Guardiões: nomes, presenças e caminhos de relação sob a soberania de Hekate. Edição revista. Santuário de Hekate, 6 out. 2026. Especialmente pp. 2–3 e 7. Material autoral da tradição do Santuário.
SANTUÁRIO DE HEKATE. Hekate e as Águas Cósmicas — A Travessia dos Nāgas. Roteiro de Liliáh, Alta Sacerdotisa. 19 out. 2026. Composição ritual autoral.
As fontes antigas e institucionais fundamentam os aspectos históricos e comparativos. A hierarquia de Najenna, a direção das Górgonas sobre as vinte guardiãs e sua disciplina comum de oferendas pertencem à tradição do Santuário. Fontes digitais consultadas em 20 de outubro de 2026.




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