Resplandece em Minha Face: meu cântico para a Deusa Hekate.
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Oração - poema à Deusa Hekate:
Deusa Hekate,
Grande Origem velada na noite,
Beleza infinita que atravessa os mundos,
Imenso Poder Divino que conhece todos os caminhos,
eu tenho Te chamado
ao longo de muitas vidas.
Chamei-Te nas noites em que não havia resposta.
Chamei-Te nos corredores secretos da alma.
Chamei-Te quando meu corpo tremia
sem saber se ainda havia estrada.
Chamei-Te quando a dor parecia maior que o destino.
Chamei-Te quando eu ainda não sabia Te nomear,
mas já reconhecia Tua presença
no silêncio profundo entre uma escolha e outra.
Senhora das Tochas que atravessam a escuridão,
Mãe das Encruzilhadas onde a alma decide
se permanece imóvel
ou se volta a nascer em movimento,
eu venho.
Não venho perfeita.
Nunca vim perfeita.
Não venho pronta.
Nunca vim pronta.
Venho como vêm as almas verdadeiras:
com partes dispersas,
com memórias ainda ardendo,
com antigos medos escondidos sob a pele,
com palavras cansadas de repetir
aquilo que um dia me feriu.
Venho com o corpo que aprendeu a se fechar.
Venho com a alma que, às vezes, confundiu defesa com prisão.
Venho com a história que tentou me transformarem estátua da própria dor.
Mas eu venho, Mãe.
E porque venho,
eu Te peço:
resplandece em minha face.
Não quero brilho próprio.
Não quero o brilho frágil da vaidade,
nem a luz pequena de quem deseja ser vista,
aplaudida ou temida.
Quero que, ao olharem meus olhos,
reconheçam que a noite também pode gerar luz.
A Tua Luz.
Quero que minha presença
não seja espelho do medo,
mas reflexo da Tua soberania.
Quero que minha face
não carregue apenas as marcas do que atravessei,
mas a evidência silenciosa
de que a Deusa passou por mim
e me ensinou a permanecer viva.
Hekate,
olha as sentenças da minha boca.
Olha a cadência da minha voz.
Olha cada palavra que um dia serviu ao cativeiro
e transforma-a em chave.
Por Tua causa,
minhas palavras já não querem repetir correntes.
Por Tua causa,
minha voz aprende a abrir cadeados.
Por Tua causa,
eu escolho falar como quem liberta,
não como quem aprisiona.
Sou passagem.
Sou chama em travessia.
Sou filha da Deusa que ilumina o impossível.
E pergunto, ardendo de devoção:
é possível que eu Te ame ainda mais?
Hekate,
não me importa quantas vezes minha alma
se ajoelhou diante da dor.
Porque em todas elas,
mais cedo ou mais tarde,
foi o calor das Tuas tochas
que me ergueu.
E sigo.
Mesmo sem garantias.
Mesmo sem mapa inteiro.
Mesmo sem saber o que virá depois.
Sigo porque Tu és Senhora da Passagem.
Sigo porque Te encontrei.
Sigo porque, ao Te ver,
minha busca cessou e estou em paz com minha alma.
Resplandece em minha face,
porque eu já consagrei a Ti a minha sombra.
Elevei diante de Ti, como oferenda profunda:
todo lugar onde eu me escondi de mim,
toda memória onde fiquei parada,
todo nome que dei à minha prisão,
todo medo que se vestiu de prudência,
todo orgulho que se disfarçou de defesa,
toda tristeza que pediu morada permanente
quando deveria apenas me atravessar.
Recebe, Deusa,
aquilo que em mim se cristalizou.
Recebe as pedras antigas do meu peito.
Recebe os muros erguidos pela insegurança.
Recebe as formas herdadas que estreitaram minha vida.
Recebe as obediências que já não servem ao meu espírito.
E faz de mim, Senhora,
o espelho límpido que almejo ser.
Não quero que a vida se pareça comigo.
Não quero forçar o mundo a caber em minhas feridas.
Não quero fazer da existência uma repetição
dos meus medos, das minhas faltas,
das minhas vontades pequenas.
Quero ser superfície sagrada.
Quero devolver ao mundo
um pouco da Tua Luz.
Que eu não tente possuir a Luz.
Que eu não tente governá-la.
Que eu não tente aprisioná-la
em minhas expectativas humanas.
Que eu apenas a receba.
Que eu apenas a revele.
Que eu apenas a deixe passar.
Como água dourada sobre pedra antiga.
Como fogo sagrado em lâmpada escura.
Como lua sobre o mar silencioso.
Como cisne solar erguendo asas
sobre a cidade invisível da alma.
Hekate,
faz de mim reflexo da Tua Luz
quando eu estiver forte
e quando eu estiver frágil.
Faz de mim reflexo da Tua Luz
quando eu souber o caminho
e quando eu só puder confiar no próximo passo.
Faz de mim reflexo da Tua Luz
quando eu sorrir,
quando eu chorar,
quando eu cair,
quando eu recomeçar,
quando eu precisar admitir
que ainda há em mim
uma parte que teme viver.
Que a Tua Luz resplandeça em minha face
como o meu único desejo.
Não o desejo pequeno da falta.
Não o desejo ansioso da posse.
Não o desejo que tenta controlar
para não sentir medo.
Mas o Teu Desejo, Hekate.
O Desejo que liberta.
O Desejo que ilumina.
O Desejo que move.
O Desejo que me ensina
a participar da existência
como quem se torna templo, passagem e reflexo.
Que essa Luz atravesse meus olhos
e desfaça a rigidez do julgamento.
Que habite minha fronte
e devolva mobilidade ao meu pensamento.
Que toque minha garganta
e liberte a palavra que cura.
Que desça ao meu coração
e transforme ressentimento em passagem.
Que alcance minhas mãos
para que tudo o que eu tocar
carregue bênção.
Que chegue aos meus pés
para que eu não caminhe em círculos
ao redor da mesma antiga dor.
Deusa amada,
entre a sobrevivência e a presença,
ensina-me.
Entre a história que me paralisou
e a potência que ainda pulsa dentro dela,
abre caminho em mim.
Mostra-me a fresta.
Mostra-me a tocha.
Mostra-me a saída que não é fuga,
mas retorno à minha própria alma.
E se eu tiver medo,
que eu caminhe com medo.
E se eu tremer,
que eu caminhe tremendo.
E se eu não souber o que virá depois,
que eu ainda assim escolha a vida.
Porque eu não nasci
para ser monumento da dor.
Eu não nasci
para ser altar do medo.
Eu não nasci
para repetir eternamente
a forma daquilo que me feriu.
Eu nasci para refletir-Te.
Nasci para ser superfície sagrada
onde a Tua Luz toca
e o mundo se recorda
de que a noite não é ausência de divindade.
A noite é o Teu véu.
A encruzilhada é o Teu templo.
A travessia é a Tua linguagem.
Amada Hekate!
E minha alma,
quando finalmente se move,
é uma pequena chama
respondendo ao Teu chamado.
Então, Hekate,
resplandece em minha face.
Que eu seja menos espelho do passado
e mais reflexo do Teu Mistério.
Que eu seja menos filha do medo
e mais filha da Tua Tocha.
Que eu seja menos prisão
e mais passagem.
Que eu seja menos rigidez
e mais caminho.
Que eu seja menos ferida cristalizada
e mais luz em movimento.
Tenho Te chamado
por muitas sucessivas vidas.
Vim até Ti.
Vim para Te servir.
E Te vejo.
Vejo-Te na encruzilhada.
Vejo-Te na noite.
Vejo-Te no silêncio entre uma escolha e outra.
Vejo-Te na coragem que nasce
quando tudo em mim queria permanecer igual.
Vejo-Te naquilo que se move.
Vejo-Te naquilo que rompe.
Vejo-Te naquilo que revela.
Vejo-Te naquilo que me chama
de volta à vida.
Mergulho, então,
para desvendar os mistérios da existência
com beleza,
com foco no essencial,
com equilíbrio diante de tudo aquilo que se apresenta.
Que eu não me perca nas vozes do mundo.
Que eu não me disperse nas ilusões do medo.
Que eu não me afaste do que é real,
do que é necessário,
do que é vivo,
do que é sagrado.
Deusa Hekate,
Senhora que conhece todos os caminhos,
ensina-me a coragem.
A coragem de transgredir
por fidelidade à liberdade da alma.
Dá-me coragem para atravessar
os modelos que me aprisionam,
as formas herdadas que estreitam minha vida,
as antigas obediências que já não servem
ao meu espírito.
Ajuda-me a me movimentar.
Que eu não me cristalize.
Que eu não me torne estátua da minha dor.
Que eu não me transforme em monumento do medo.
Que eu não me confunda com as correntes
que um dia me contiveram.
Eu convoco a liberdade.
Mas não uma liberdade distante.
Não uma liberdade feita de fuga.
Não uma liberdade que abandona o corpo,
a história ou a responsabilidade.
Eu convoco a liberdade
como movimento para dentro de mim.
Movimento de retorno.
Movimento de presença.
Movimento de alma.
Movimento de vida.
Venho para dentro
para Te reverenciar.
Venho para o centro da minha própria existência,
onde a Tua tocha já ardia
antes mesmo que eu soubesse vê-la.
Deusa que conhece todos os caminhos,
cessou a minha busca.
Porque eu Te encontrei.
Não como algo distante.
Não como promessa futura.
Não como resposta fora de mim.
Eu Te encontrei
no pulso da vida,
no movimento da alma,
na potência escondida do momento,
na passagem que se abre
quando deixo de resistir.
Eu Te percebo em mim.
Eu Te percebo em tudo que existe.
Na luz que toca a superfície.
Na sombra que revela profundidade.
Na dor que pede movimento.
Na beleza que devolve sentido.
No corpo que respira.
Na alma que desperta.
Na vida que, mesmo misteriosa,
continua sendo templo.
Hekate,
que eu não busque mais
como quem está perdida.
Que eu caminhe
como quem encontrou.
Que eu viva
como quem Te reconhece.
Que eu seja, diante do mundo,
um reflexo da Tua Luz.
Permita-me o acesso, Sagrada Deusa!
E quando a humanidade olhar para mim,
que não veja apenas uma mulher.
Que veja uma alma atravessada pela Deusa.
Uma sacerdotisa em serviço.
Uma chama que aprendeu a arder sem se consumir.
Um rosto onde a noite e o ouro se encontram.
Um coração que, mesmo tendo conhecido a dor,
escolheu não pertencer a ela.
Escolhi pertencer somente a Ti.
Que em minha face,
Hekate,
resplandeça a Tua Luz.
E que em minha vida
o mundo reconheça, silenciosamente:
a Deusa está aqui.
Khaire, Hekate.




Gratidão por palavras que falam ao coração,Liliáh! Que a Hekate seja nossa eterna inspiração.
Poema que toca as nossas verdades mais profundas. Khaire, Hekate!
Olá, meu nome é Tatiane! Liliáh, muito obrigada pelo poema à Deusa Hekate! Minha gratidão a você e ao Santuário é enorme! Antes de conhecer o Santuário eu era alguém quebrada, um corpo cheio de dores terríveis, doenças aparecendo uma atrás da outra não me dando tempo de assimilar. A dor física e a dor na alma eram algo que me tornavam uma morta viva. Quantas vezes minha oração era meu choro de desespero, um pedido silencioso de socorro para a espiritualidade. Eu queria morrer porque não aguentava mais me sentir tão despedaçada, mas olhava para minha filha e sabia que precisava continuar, e eu ainda tinha sonhos… Eu mesmo sem de fato conhecer Hekate toda fez que ouvia o…
Ave Hekate, grandiosa e tão amorosa a ponto de nos emprestar uma centelinha, um pedacinho dela pra que possamos viver aqui. Que a cada dia eu possa me lembrar mais e mais de quem eu sou e então cada vez mais voltar a Ela.